Igualdade de gênero e o bom sexo: saiba o que eles têm em comum

Vou começar falando do dia a dia e partir pro sexo depois. Meu conselho: vá até o fim. Você vai gostar.

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  Ironicamente, é exatamente no dia da mulher que mais ouvimos comentários machistas (alguns por maldade, outros por mera burrice). Hipocritamente, é justamente tentando demonstrar solicitude e boa vontade que várias pessoas se traem, mostrando que possuem pouco ou nenhum reconhecimento/valorização em relação às mulheres. “Ajude sua mãe a lavar louça, pois hoje é o dia da mulher”; “valorizar a sensibilidade”; “você que é mãe, mulher, guerreira, trabalhadora, etc.” entre outras frases clichês que contém a expressão “sexo frágil”. Todas essas palavras deixam evidente que não só se acredita que mulher deva ser aquela sensível, frágil, sempre bem arrumada (vitrine do marido, ou da família), seguindo os padrões de beleza cultuados; como também preconizam que a mulher que se sacrifica (com tripla jornada, filhos, marido, trabalho e perrengues gerais) deva continuar se sacrificando e, uma vez ao ano, receber os parabéns por isso.

É lindo (apesar de inútil) receber flores, bombons e parabéns pelo nosso dia. No entanto, não devemos celebrar quem somos. [Não?! Por quê??!] Ora, porque não está bom desse jeito. E é óbvio que a mudança não depende apenas de nós, mulheres. Quer ver só? Tripla jornada: A mulher atual grita por mudanças, tem sede de conquistas, de ser amada, de ser compreendida em casa e admirada no trabalho – como é de se esperar de qualquer pessoa normal (homem ou mulher) com alguma ambição na vida. Daí a bonita vai e se mata de trabalhar, quer ficar em dia com unha, cabelo maquiagem, sentir-se desejada e bem vista. A solteira vai ouvir da mãe/tia/pai/tio/irmão/irmã machista quando chega exausta do trabalho ou faculdade: “você tem que lavar a louça e aprender a cozinhar para quando arrumar um marido. Falando nisso, ainda não arranjou namorado?” A casada vai estar sempre exaurida por tentar deixar tudo perfeito nos trilhos, ficar com depressão e depois ainda ouvir da vizinha que o marido a deixou porque ela não se cuidava, só vivia trabalhando fora de casa, não dava atenção ao bofe, engordou e daí já viu…

Meu parecer: isso é abominavelmente, obscenamente, maquiavelicamente injusto, desumano e cruel [obs.: não achei nenhuma outra palavra pior pra descrever e, se souber de alguma, me conte]. Se você já protagonizou alguma dessas cenas, tá na hora de fazer terapia e sair pra ver como o mundo mudou no século XXI (já que seu habitat natural é o século XIII). Então, você que é homem: ter um pouco de empatia por outro ser humano não te faz menos hétero. Dividir as tarefas de casa entre os que nela habitam só vai depender de um pouco de vontade e uma tabela de afazeres grudada na geladeira. Se você vê que a coitada da sua mãe/irmã/mulher está se MAAA-TAAAAN-DOO de trabalhar pra você ficar sentado jogando vídeo game, tenha um pouco de dignidade e vá ajudar. Seja útil (dentro e fora de casa).  Hoje existem cursos grátis ou bem baratos, para maiores e menores de idade. “Ahh… mas eu cheguei em casa com dor de cabeça depois da reunião e to com raivinha do Almeida da contabilidade, blá-blá-blá…” Pois é filhão, não tá fácil pra ninguém mesmo! Agora vai ajudar a fazer a janta ou compra pronto e manda entregar, porque a comida não vai brotar no seu pratinho, ok? Moral da história: isso é um pouquinho daquela velha conversa de igualdade de gênero, aplicada no dia-a-dia. É claro que não fica por aí. Há muito mais para ver, pensar, estudar, conquistar, mudar nesse quesito, que não caberia aqui. E como nosso foco é o sexo, vamos ao que interessa.

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Todo mundo já ouviu dizer que homem tem mais testosterona e, portanto, mais desejo que as mulheres. Essa é a parte que te contaram. O que não te contaram é que só acreditar nisso não ajuda na hora H. Pergunta básica: você é do tipo que se preocupa com o prazer dela? Ou se acha no direito de se ofender se ela (coitada) tem até que fingir o orgasmo pra não te desapontar? Faz assim, ó: pergunta o que ela gosta, presta atenção nas reações que ela tem a cada toque, olhar, beijo, etc. Não é difícil. Eu sei que é mais fácil culpar a mocinha por não chegar lá, maaasss… nada muda se você não mudar.

Comecei falando do dia a dia, dos aspectos gerais da vida comum porque eles influenciam na qualidade de vida, na quantidade de sono e de humor que temos – e, consequentemente, no sexo, no prazer, no afeto e na alegria. Está tudo ligado. Não vá pensando que o seu papel se restringe só uma área (trabalho ou sexo). Aliás, essa história de papel já está bem ultrapassada. E quando digo ultrapassado não é só fora de moda, não. É insustentável continuarmos a viver seguindo esse modelo. Tentar viver como nossos bisavós é entrar de cabeça no fracasso pessoal e familiar, colapso econômico e social. E o que isso tudo tem a ver com o sexo? Tem a ver com felicidade. Sexo é indicativo, sintoma e reflexo do que vivemos em outros âmbitos. Pessoas traumatizadas ou doentes não encaram/fazem sexo da mesma forma que as saudáveis. Por isso, parar no tempo em relação aos nossos pares é regredir e apostar as fichas em um sistema insustentável, que gera gente doente e frustrada.

Observe como anda o sexo e a sua parceira – no caso dos homens. Ela está realmente contente? No que você poderia melhorar? Sabe o que ela gosta, de verdade? Se não, comece a se mexer. É hora de agir. E cada um tem seu jeito para seduzir, chegar ao clima e ao clímax. Não tem receita pronta. É praticar com muita atenção para aprender sempre. [Força, fé e foco, que você consegue].

Para as mulheres: comece a exigir dos homens (deixando de se cobrar tanto e de permitir que te pressionem) – em todos os âmbitos: sexo, família, profissão. A igualdade começa por aí. Não seja tão passiva e muito menos complacente com o que está à sua volta. Pense em você em primeiro lugar. Valorize-se e não permita que te depreciem. Aproveite a vida, o sexo, usando a seu favor seus melhores atributos. E feliz dia da mulher!

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