Uma geração sem HPV é possível

Demos o primeiro passo para proteger nossas crianças e adolescentes contra o vírus que pode causar o 2º câncer mais nocivo a mulheres: o do colo do útero.

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 Este é um texto otimista, inspirado por uma novidade providencial sobre a saúde em terras brasileiras. A parte que vocês já sabem: serão vacinadas contra o Papiloma Vírus Humano (HPV), por meio da rede pública, meninas de 11 a 13 anos, a partir de março deste ano, com estimativa de atender até 15 milhões de garotas. E tem mais: em 2015 a oferta se estenderá às de 9 e 10 anos. A vacina será a quadrivalente, que abrange os quatro tipos de vírus responsáveis pela maioria dos casos.

O que muita gente ainda não percebeu é que isso não significa apenas uma forma de prevenção que é oferecida gratuitamente às nossas crianças – o que, aliás, não é pouco num país chamado Brasil. Antes, quem queria se proteger tinha que desembolsar de R$ 400 a R$ 700,00 na rede privada. E isso quando alguém era informada(o) sobre os riscos do vírus, pois como não havia vacinação na rede pública, também não havia informação a respeito ou mesmo campanhas de prevenção significativas.

E a questão vai além: mostra um conhecimento técnico e análise cultural em um olhar “de cima para baixo”, ou seja, dos órgãos públicos sobre a população; além de um movimento construtivo do cidadão [na melhor acepção da palavra] para consigo mesmo. Isso fica evidente quando percebemos que vários fatores foram levados em conta:

  1. Em jovens a reação a vacina é mais eficaz na proteção contra o vírus;
  2. A vacinação é feita antes ou no início da vida sexual, que tem acontecido em idades cada vez menores (e que o digam os professores e outros profissionais que lidam com tais públicos);
  3. O primeiro público a ser imunizado, o feminino, é o que mais teve prejuízo até agora, em razão do câncer de colo do útero (o 2º que mais mata mulheres no Brasil e fica atrás apenas do câncer de mama);
  4. A histórica falta de informação/campanha/conscientização sobre o HPV;
  5. O perigo do hábito de não usar camisinha nas relações sexuais – geralmente motivado por fatores típicos de adolescentes (mas não exclusivamente deles): a irresponsabilidade de acreditar que doenças venéreas só são pegas pelo vizinho e “nunca comigo”; a mentira que contamos para nós mesmos de que “sabemos” que estamos saudáveis (mesmo não tendo feito nenhum exame); o bloqueio de se conversar sobre o assunto em vários círculos sociais(que, aliás, começa em casa).

 A hora de falar a respeito

Quando o assunto é saúde a coisa começa a ficar séria (ou deveria). Por isso, acredito que a aplicação da vacina, que vai coincidir com o começo do ano escolar, pode trazer à baila conversas de corredor entre aqueles pais ou professores que ainda têm medo de falar de sexo ou se perdem na idade, por sempre achar que é cedo demais. “Caramba, mas minha filhinha/aluninha, tão nova, já se vacinou contra uma DST? Como assim?” Pois é! Quem sabe essa não seja sua deixa? Ah! E não só para falar como também estudar o assunto. E aí, que tal? Falar de sexo não é o mesmo que falar de sacanagem. Isso você deixa para as novelas, que isso elas fazem muito bem. Fale que é preciso cuidar do corpo, que nós temos fases da vida, que seres humanos foram feitos para viver em sociedade, formam famílias a partir de casais, e essas duplas têm uma dinâmica especial de convivência (motivada pela natureza, que nos “inspira” à reprodução para continuação da espécie), que inclui o sexo. Por certo, a criança não tem metade do repertório de imagens e informações que circulam na sua mente e, portanto, não terá a mesma interpretação que você. [Assim espero].

Informação x Conscientização

Todos os dias ficamos sabendo de casos (criminosos, bizarros ou apenas inusitados) de erotização de diversos públicos jovens. Isso, muitas vezes, apenas capta a atenção por poucos instantes. No entanto, raramente isso encoraja uma nova ideia sobre os padrões, a saúde (física, mental, emocional) das próximas gerações, o que estamos “engolindo” e sobre o que nos colocamos como meros expectadores. Por isso, a oferta da vacina é uma novidade com potencial gerador de outras boas discussões, boas ideias, novas visões e quebra de bloqueios, tabus, medos em relação ao sexo – principalmente, na área relacionada à saúde e ao futuro.

Otimismo

Sem a vacina, a probabilidade de adquirir o vírus, entre o início da vida sexual até os 80 anos, era de até 80%. Agora, as jovens vacinadas ficam imunizadas por vinte anos, quando têm de tomar outra dose de reforço. Também é uma chamada ao cuidado com o corpo, que elas devem entender desde cedo como algo necessário, até vital. Isso confere mais um ponto na lista de responsabilidades que levam a pensar duas vezes antes de fazer qualquer besteira. É claro que estarão imunizadas, mas só contra o HPV, não contra um universo inteiro de riscos iminentes derivados do sexo, que requerem dos navegantes muita cautela, bom senso e amor próprio.

Que o início deste ano faça repercutir o que poderia ter em toda a sua extensão de tempo: boas novas. E não é tarde demais para dizer: por um 2014 (com razão de ser) otimista!

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