A “mídia” é você quem faz

Charge-Midia3-web

Ouço muita gente crendo e pregando que a mídia é manipuladora, usurpa a capacidade de escolha e dita muitas regras – por vezes de modo subjetivo ou até “subliminar”. É como se ela fosse uma besta apocalíptica de ventas fumegantes, pronta para atacar os pobres cidadãos, convertidos (contra sua vontade) à condição de consumidores cegos e submissos.
Bom, quem é maior de 18 e responde às consequências de seus atos (ou deveria) sabe que se vitimar nem sempre funciona – seja perante a lei ou no correr cotidiano da vida, nas relações de trabalho, família, etc. A lógica de mercado leva ao seguinte raciocínio: publica-se o que o público gosta porque assim podemos vender. O “gosto” se descobre por meio de estatísticas diversas, além do ibope. Publicamos e vendemos o que atrai o público. A relação entre mídia e espectador é direta e reflete comportamentos estabelecidos em uma sociedade por sua cultura – ou seja, definido pela sociedade e para/com a sociedade. Se o que se coloca ali não representa esta ou aquela pessoa, pelo menos representa a maioria ou um segmento significante.
Há quem diga que os anunciantes, a “indústria da moda, a “indústria da beleza” dizem o que deveremos querer, ser, ter e/ou parecer. Ora, em um mundo com tanta informação, que oferece tantas possibilidades de ação e pensamento, parece um pouco ingênuo pensar que exista uma força manipuladora onipotente – quase como a definição de destino – da mídia frente à capacidade humana de escolha, fato que também nega a singularidade dos indivíduos (com o perdão da redundância) .
Há quem diga que existe “maldade” ou “perversidade” na mídia. De fato, pode existir, mas o problema não é a mídia, nem a lógica de mercado – esses são meras ferramentas de trabalho, mecanismos do sistema em que vivemos, desprovidos de sentimentos ou personalidade. A questão é quem a conduz: seu próprio povo.
A mídia, meus caros(as), é conduzida por seres humanos pensantes e direcionada a finalidades objetivas, como o lucro e o alcance de resultados. Apenas isso. Violência, machismo, estereótipos, corrupção e tantos outros males não têm raiz na mídia, mas em um modelo historicamente prejudicado e prejudicial. Também não adiantará combate-los nas imagens, sons e palavras pela mídia emitidos. Fotos, vídeos, sons e textos retratam algo que, de fato, existe ou existiu – e não meros ecos de uma ficção.
Enquanto estivermos culpando a moldura e pintando o mesmo quadro, a realidade permanecerá estagnada. Enquanto se nega as devidas responsabilidades, não se busca solução. Culpar a mídia é fácil, difícil é encarar que ela reflete quem realmente somos.

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