Sexo e religião: para a wicca toda forma de amor é sagrada

O sexo como origem de todas as coisas, numa representação da união geradora de masculino e feminino – quase uma analogia poética à teoria do Big Bang – simbolizando as fases naturais, as estações. Essa é a visão da Wicca sobre a razão de ser da conjunção carnal. Derivada do paganismo, possui raízes em tradições tão antigas quanto possíveis em termos de religião e agrupamento humano.

AltardaWiccaCeltaNa antiga Bretanha de preceitos cristãos, a wicca chocava parte da sociedade por dar voz, liberdade e conhecimento às mulheres; e hoje vai na contramão dos tabus presentes em outras religiões, pois aceita e realiza o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No neo-paganismo toda forma de amor é considerada sagrada.

A religião wicca não tem uma concepção pré-determinada sobre o que venha a ser amor. De acordo com Og Sperle, presidente da União Wicca do Brasil, “o que a gente tem é uma concepção dentro do paganismo. O amor seria toda saudação à terra, a Deus, a Gaia. A Wicca não é uma religião maniqueísta, não tem essa divisão entre mal e bem. Cada um sente, de acordo com uma concepção pessoal.” Em oposição a religiões patriarcais, esta não trata o sexo como pecaminoso ou “um mal necessário à procriação”, mas trata com naturalidade o que é natural.

A religião tem crescido no Paraná, segundo o bruxo Bruno Matsushita. Quando perguntado sobre o perfil dos adeptos, ele não hesita na resposta: são os homossexuais, entre outras minorias, porque não são bem-vindos em igrejas e ambientes dogmáticos. São pessoas que buscam acolhida em grupos de estudo e de discussão, que querem ser aceitas, buscar o amor e manifestar sua espiritualidade sem represálias.

O aspecto mais importante na expressão de amor é o respeito pelas diferentes formas de vida, pois a wicca compreende que todos os elementos da natureza são parte do sagrado. A religião é voltada à natureza e aos ciclos sazonais e, para os adeptos, seu ciclo vital determina os rumos da vida de todos os seres, inclusive os humanos. “É o amor plural, frente aos deuses, é aquele amor de entrega e confiança. O fato de realizarmos os rituais nos incentiva a tentar interagir e interpretar a natureza”, diz Sperle.
A ausência de “amarras” também se reflete na forma de transmissão dos conhecimentos. A tradição é transmitida oralmente e não possui dogmas, ou mesmo um livro normativo, um “manual”.

Sábia como a natureza, a wicca também afirma que, no campo energético e de atração entre os pares, “o que está acima é como o que está abaixo”, o que significa dizer que só se encontra o amor [plano superior] quando se está sintonizado com ele [a partir deste plano]. Por isso, essa busca (pelo que é externo) só é bem sucedida quando há amor próprio (sintonia com o que é interno).

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