Brinquedo de menino, brinquedo de menina: o tradicionalismo que sexualiza crianças

 Rosa é cor de menina. Azul é cor de menino. Meninas brincam com bonecas, meninos com carrinho. Meninas devem ouvir histórias de princesas; meninos, de aventura. Bacana, certo? Sim – se não forem limitações, mas possibilidades. Quando tais frases são restrições, muitas vezes chamamos de “tradição”. Entretanto, tentar a todo custo preservar algo que pode ser aprimorado é o mesmo que insistir em fazer do modo mais difícil um caminho já percorrido, com conhecimento de um atalho mais fácil e agradável que leva ao mesmo destino.

menino - boneca

Analogias à parte, não se trata exatamente do mesmo destino. A busca é sempre por uma vida melhor, mas as metas se modificam constantemente, de acordo com os cenários. A mudança é inerente à civilização e necessária ao seu aprimoramento. Mudamos incentivados pela busca de solucionar nossos problemas e limitações – seja no âmbito tecnológico, social ou cultural. Assim, opor-se a esse movimento sem uma razão cabível é, no mínimo, um ato de ingenuidade retrógrada. No caso da educação diferenciada entre meninos e meninas, é um tradicionalismo que, quando aplicado de maneira impositiva, pode gerar transtornos em longo prazo ao indivíduo em formação que é a criança.

Pode parecer exagero, mas não é preciso ir muito longe para encontrar casos de homens que se sentem frustrados pela inaptidão (que julgam inata) em cuidar de seus rebentos ou em aceitar que gostam, sim, de cozinhar e fazer outras tarefas preconceituosamente

Se os brinquedos têm sexos objetivamente correspondentes, isso implica em uma sexualização precoce das crianças, sem respeito às suas etapas de desenvolvimento e às necessidades de lidarem com o simbólico e o lúdico, ferramentas que tornam possível a construção de suas identidades.denominadas “de mulher”. Isso sem falar em tantas mulheres que sentem o bloqueio contra atividades esportivas e/ou de liderança, implícito em frases e olhares, que as julgam “masculinizadas” e/ou “esquisitas” por estarem fora do que alguns entendem como padrão a ser seguido.

As intervenções “tradicionalistas” de distinção por gênero, acabam por “podar” a criança em sua criatividade, expressão, modo de se relacionar com o mundo, capacidade e vontade de realizar descobertas. Por que, então, dizer que essa cor ou aquele brinquedo é “de menino” ou “de menina”? Bobagem! Deixem nossas crianças brincarem em paz.

Para aqueles que gostaram do tema, recomendo “O menino que ganhou uma boneca”, de Majô Baptistoni.

http://www.youtube.com/watch?v=n2PEvAbNLXU

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