O macho alfa saiu do armário… E? O beta continua ganhando seu espaço hétero-dominante

Se em décadas anteriores tanta macheza era boa coisa, agora é apenas um sinal de homossexualidade não assumida (e mal-disfarçada)

alfa

Macho, homem com “H”, quem “mata a cobra e mostra o pau”: essas são algumas expressões adjetivadas no intuito de definir o que, até poucos anos atrás, era comumente entendido como um homem de valor, com características totalmente masculinizadas e em evidência. “Valorizar o que se tem entre as pernas” e “ter culhões” ao encarar alguma situação eram (e, para alguns, ainda são) sinônimos de coragem, caráter e dignidade. Mas, o que isso realmente significa atualmente?

Os fatos mostram que esse “bando” de machos alfa (que muitos aprenderam a valorizar e ter como referência), na verdade eram apenas gays enrustidos com muito medo de se assumirem. Ênfase no “muito”: o medo era tanto que não se falava a respeito, não se sussurava sobre e nem mesmo se permitia pensar naquilo [licença poética para maliciar].

Para infelicidade de alguns e felicidade de outros, o que acontece é simples: quando o macho é demais o santo desconfia. [Aceita que dói menos].

Ok. Passada a fase de espanto, vamos entender o que acontece. Os “diagnósticos” mais comuns são: (1) a imagem masculina geral vai ser prejudicada; (2) vão faltar homens; (3) as crianças vão “aprender” a ser gays; (4) e a famosa frase, que não poderia faltar: “já não se fazem mais homens como antigamente”.

Agora, minha reflexão: (1) a imagem exacerbada (tão somente) do macho alfa foi desmascarada, não maculada – e essa categoria não é a única existente. O macho beta continua muito bem, obrigada; (2) as portas do armário se abriram para homens e mulheres – as lésbicas não sentirão falta e vão deixar pra quem gosta; (3) É possível aprender a definição de homossexualidade, não como ser – pois esta é uma questão subjetiva, que envolve a identidade individual e intransferível de cada ser humano; (4) Graças a Deus! Os homens de antigamente foram os mesmos que impediam as mulheres de votar, de trabalhar ou de respirar sem seu consentimento.

No final da equação existe um grande ganhador: o macho beta. Quem? Aquele tipo pacato e compreensivo, que não vê a mulher como inferior, gosta de crianças e topa dividir as tarefas domésticas. Irônico destino: justamente aquele que, por tanto tempo, foi visto como “menos” homem, agora se revela como o único exemplar hétero-legítimo da espécie.

E sabe aquela história de sobrevivência do mais forte? Está errada. Sobrevive quem é mais adaptável e, nesse caso, mais verdadeiro consigo e com os outros.

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