Falar é prata, sorrir é ouro (em matéria de engano)

Por Julianne Lam

Nossos sentidos/sentimentos/ideias se tornam águas turvas, difíceis de navegar, quando se trata de amor e sexo. Para iniciar o assunto, falemos um pouco de paixão, inteireza e incompletudes

mundo da luaAquela pessoa que te fez sonhar, ir à Lua e (não mais) voltar, de repente, se torna seu algoz. Acontece. As impressões que temos, muitas vezes, fruto da paixão que toma os sentidos e nubla as ideias, compõem o quadro das projeções que lançamos sobre o outro. Há quem busque sua “metade” e acabe vendo em outra pessoa o que falta em si mesma, na crença de que esta poderia “preencher seu vazio” (ok, podem maliciar) – o que, no final das contas, se configura num exercício de autossabotagem.

Não somos parte – da laranja ou da bendita panela buscando sua tampa. Somos inteiros. Assim nascemos e assim seremos até o fim. Entretanto, a criação, os percalços da vida, a arte, a realidade e as mentiras que nos contam, entre tantos outros fatores, podem nos fazer acreditar no oposto. A sensação de estar incompleto deriva dos medos, das aflições e até daquilo que, no fundo, tentamos esconder de nós mesmos. Para driblar tanta sensação ou pensamento inoportuna (o), um mecanismo de nossa mente aperta o botão do “deixa pra lá”, ao mesmo tempo em que busca soluções mais fáceis para resolver o problema.escolhendo-a-metade-da-sua-laranja

Assim, mesmo sem falar muito, sem tanta compatibilidade quanto era de se esperar da sua almejada “alma gêmea”, um sorriso parece bastar para comunicar aquilo que seus ouvidos e olhos sempre desejaram ouvir e ver, numa mensagem intraduzível para o lado racional. Pensamos encontrar o que poderia acabar com aquele vazio inoportuno. Basta um sorriso que “diz tudo” para que se entenda o sentido que buscávamos. Certo? Errado. E daí? Amar é perder-se. Projetar também.

Enxergar o outro é um exercício de autoconhecimento, de empatia, de encarar uma realidade que nem sempre é confortável. No final das contas, vale a máxima (super clichê) de cuidar do jardim e esperar que as borboletas venham. A única “prevenção” contra a autossabotagem, para não se tornar “ímã” de gente que não vale a pena, é olhar para dentro, limpar o próprio “porão”; ou como diria Ana Carolina, “sempre chega a hora de arrumar o armário”. Tudo para não projetar para fora o que falta dentro.

Então, se é inevitável por seu interior em ordem, para que adiar? Boa faxina, seja inteiro, não se sabote, cuide-se, ame-se. Em outras palavras, vá ser feliz! =*

A música de Ana Carolina, poço de sabedoria, do qual bebi: http://www.youtube.com/watch?v=kYoMfRSzIjE

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