Analisando controvérsias: sexo, preconceito e opressão

por Julianne Lam

O papo é sobre sexo e preconceito. Parto do seguinte princípio: toda e qualquer manifestação de ódio é patológica. Do xenofobismo explícito ao preconceito de gênero mais velado – todos têm raízes no que se busca esconder de si mesmo nas “gavetas” da alma, trancadas a “sete chaves”… algo bem profundo que está cravado no sub/in (não sei definir) consciente. E a troco de quê? Simplesmente para tentar esconder algo que vai contra o sistema (opressor) das normas de conduta sociais, talhadas a fogo, ao longo das gerações, nas mentes mais frágeis. Trata-se da tentativa de fazer parte do que parece ser o “lado mais forte”, para não demonstrar vulnerabilidade. Em outras palavras, é o oprimido cultuando o opressor. 

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Há dogmas aplicados a todo o momento nas relações sociais, que não percebemos totalmente – nem a presença, nem as nefastas consequências, principalmente quando se trata de sexualidade. Piadinhas, repulsa ao próximo (“ah, tenho nojo de gay!”), maledicências (“também…olha a roupa que ela estava usando! Pediu para ser estuprada/agredida/mal falada”); os termos de decoro, o jogo de “mostra-esconde” para fazer parecer algo na sociedade, sede por status, necessidade de manter uma imagem. Tudo isso serve para fomentar um clima de ódio que, por sua vez, impulsiona o círculo vicioso de agressões gratuitas.
Interessante, no entanto, é observar as linhas de raciocínio dos que procedem no ódio por questões de gênero, sexo e/ou identidade. Por que relacionamentos, condutas individuais e preferências íntimas soam como afrontas a certas pessoas? Os argumentos mais usados dizem que o que é pessoal, individual e íntimo, teria dimensões coletivas e, por isso, prejudiciais. As bases para tal estariam na “tradição”, em manter as coisas como estão – oprimidos silenciados e opressores em seus pedestais – tão cômodo quanto perverso (egoísta, cruel, etc.).

Entretanto, essa visão de mundo, por pior que seja, é passível de análise. O interesse em subjugar o outro deriva de um instinto primitivo de preservação, mecanismo ativado pelo medo, quando se acredita que existe uma ameaça que precisa ser combatida. É conduta repreensível, com certeza – mas é, antes de tudo, animalizada e irracional. Em outras palavras, esse comportamento é fruto de uma mente insegura, vulnerável e que não raciocina muito bem. Digna de pena.

Há quem lute (da, contra ou pela) questão e há quem fuja dela. Sou da opinião de que é preciso tocar na ferida para saná-la, evitar que se instale a doença e o mal se espalhe. E você?

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  1. Trackback: Sexo, preconceito e opressão | Sociedade Secreta Zvezda

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